A dor era atormentante. Exatamente isso - eu estava atordoada. Não conseguia entender, não conseguia perceber o que esteva acontecendo. Meu corpo tentava rejeitar a dor, e eu era sugada repetidas vezes por uma escuridão que apagava segundos ou, talvez, até minutos inteiros de agonia, tornando ainda mais difícil acompanhar a realidade. Tentei separá-las. A não realidade era escura e não doía tanto. A realidade era vermelha e me trazia a sensação de estar sendo serrada ao meio, atropelada por um ônibus, nocauteada por um campeão de boxe, pisoteada por touros e mergulhada em ácido, tudo ao mesmo tempo. (…) Em um momento, tudo era como devia ser. Eu estava cercada das pessoas que amava.